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Lançamento do Mapa Geológico do Quadrilátero Ferrífero

  • Publicado: Quinta, 12 de Dezembro de 2019, 14h57
  • Última atualização em Quinta, 12 de Dezembro de 2019, 15h19

 

Mapa Geológico do Quadrilátero Ferrífero versão 2019, escala 1:150.000

 

Breve Histórico do Primeiros Mapas Geológicos

Os mapas geológicos certamente se enquadram nos primeiros projetos interdisciplinares bem-sucedidos na aplicação das ciências como base para o desenvolvimento regional. Eles são mais do que a localização das ocorrências minerais em uma região; incluem os condicionamentos das ocorrências minerais e projetam em superfície a diversidade geológica de uma região, nem sempre visível à flor da terra.

A construção de mapa geológicos no mundo tem raízes bem antigas. Talvez o primeiro mapa geológico conhecido foi o Mapa Geológico de Wadi Hammanahat, no Egito, confeccionado em 1150 A.C. A necessidade de ser ter a localização de onde se ocorriam os recursos de natureza geológica, incluindo as fontes de água, tenha sido uma das grandes necessidades do Egito antigo. No mundo ocidental a cartografia começa em meados do século XVII, com os mapas de E. Guettard, o mapa mineralógico da França, e de C.H. Lommer, em seu mapa geológico da Alemanha. A produção de mapas em geral, coincide com os princípios organizacionais dos povos. O mais famoso deles foi o Mapa da Inglaterra, da região Gales e parte da Escócia, de W. Smith de 1815, que lança as bases dos mapas geológicos tais quais os conhecemos hoje e organiza a produção de carvão mineral, a capacidade de avaliação de reservas e consolida as bases energéticas britânicas necessárias para o desenvolvimento de suas indústrias.

Em um canto do Novo Mundo, na região central de Minas Gerais, a produção de ouro já atingira seu auge e começava a decair. Neste momento, e não muito distante das iniciativas europeias esforços de naturalistas europeus frutificavam nos primeiros registros de seções geológicas, regionais, com Eschwege em 1818, e os mapas geológicos surpreendentemente detalhados como os de Claussen (1841) e Helmreichen (1843). O que foi mais tarde conhecido como Quadrilátero Ferrífero, berço da mineração organizada no Brasil, experimentava os primeiros sinais da transição entre a mineração aurífera para a ferrífera como base para a manutenção e desenvolvimento social das cidades e populações ali presentes.

Convênio DNPM/USGS

Após estas primeiras iniciativas na região central de Minas Gerais, reconhecidos mundialmente os teores e estimadas as reservas de minérios de ferro, somente em 1949 inicia-se um ambicioso projeto de conhecimento da geologia da região, o famoso projeto de reconhecimento e mapeamento geológico do Quadrilátero Ferrífero, que culmina em 1969 com a publicação do mapa de integração regional, em escala 1:150.000, e seu texto explicativo. Este projeto foi executado mediante um convênio do Serviço Geológico dos Estados Unidos da América (USGS) e do Departamento Nacional da Produção Mineral do Brasil (DNPM) e liderado por J. V. N. Dorr II. Mais do que a fase de confecção do mapa geológico do sul da capital de Minas Gerais, este período significou a consolidação da geologia, como campo de conhecimento e profissão no Brasil. Houve treinamento de equipes e formação de geólogos de campo com o objetivo de cartografar este imenso território brasileiro e produzir cartas geológicas que serviriam não somente para trabalhar as ocorrências minerais, mas para planejar a ocupação do território, naquilo que hoje se chamaria ordenamento territorial.

Mapa Geológico versão 2019

Passados cinqüenta anos da publicação do mapa de J. V. N. Dorr II e colaboradores, é apresentado o novo mapa geológico do Quadrilátero Ferrífero, revisado e atualizado, em escala 1:150.000, resultado de um esforço de centenas de geólogos de várias instituições ao longo das últimas duas décadas. O mapa geológico do Quadrilátero Ferrífero, versão 2019, representa a consolidação de um grande volume de dados geológicos. Inclui resultados de diversos projetos de mapeamento geológico sistemático em escala 1:10.000, realizados ao longo dos últimos 20 anos pelo Departamento de Geologia da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto, além de mapas geológicos produzidos a partir de projetos de pesquisa desenvolvidos pelos programas de pós-graduação da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Brasília (UnB) além de mapeamentos realizados pela Vale S/A. Adicionalmente, foram utilizados mapas geológicos resultantes de convênios celebrados entre a UFOP e as mineradoras Vale, CSN, Belmont, MBR, Samitri e Ferteco. Foram incorporados ainda novos dados de estratigrafia e geologia estrutural, além da expansão de uma faixa a sul e a leste do Quadrilátero resultando em uma área de 12.785 km2. Esta expansão teve como objetivo alcançar uma melhor compreensão da conexão entre o Quadrilátero Ferrífero e os domínios geológicos circunvizinhos. Os aportes destes dados aliados aos dados geocronológicos permitiram a elaboração de um novo modelo de evolução estrutural e tectônica para o Quadrilátero Ferrífero.

O objetivo principal do projeto é buscar esclarecer aspectos ainda pendentes e duvidosos que não foram solucionados no magistral trabalho de J. V. N. Dorr II (1969), alguns dos quais ainda persistem, apesar dos estudos subseqüentes conduzidos por inúmeros pesquisadores. O resultado é um mapa consistente, considerando o que há de mais novo tanto nas teorias que permeiam as várias especialidades geológicas quanto em termos de técnicas analíticas, contribuindo para um melhor entendimento desta área tão importante para Minas Gerais, para suas indústrias e para a academia.

Apoio Institucional

A concretização deste novo mapa geológico do Quadrilátero Ferrífero, em escala 1:150.000, teve o apoio institucional da Vale que envolveu não apenas a participação da Gerência de Geologia e Sondagem Ferrosos, representada pelos gerentes Henry Francisco Galbiatti e Lilian Grabellos de Barros de Moura e suas equipes técnicas, mas também facilidades na integração cartográfica em plataforma SIG, além de dados validados de levantamento de campo.

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